Como o Pulso Eleitoral funciona

Transparência total sobre coleta, cálculos e limitações — para você interpretar os números com segurança.

1 O que é o Pulso Eleitoral

O Pulso Eleitoral é um agregador automático de pesquisas eleitorais. Em vez de acompanhar cada instituto separadamente, o sistema coleta os dados diariamente, organiza tudo num banco de dados único e calcula médias e tendências de forma contínua.

A ideia central é simples: uma pesquisa isolada tem margem de erro. A média de várias pesquisas de institutos diferentes, feitas em períodos próximos, tende a ser mais estável e representativa do que qualquer número individual.

O Pulso não produz pesquisas próprias. Ele apenas coleta, organiza e apresenta o que institutos independentes já publicam.

Atualização: a coleta roda automaticamente uma vez por dia. Os números no dashboard refletem a última execução bem-sucedida.

2 Fontes monitoradas

O sistema monitora os principais institutos que publicam pesquisas presidenciais nacionais para as eleições de 2026. Cada instituto tem uma estratégia de coleta diferente:

Datafolha
Página própria + Playwright
Quaest
Releases no site
AtlasIntel
Página própria
Real Time Big Data
Gazeta do Povo
Paraná Pesquisas
Gazeta do Povo
Nexus / BTG Pactual
Gazeta do Povo
Verita
PDF via Playwright
Futura Inteligência
Gazeta do Povo
PoderData
Poder360
Meio / Ideia
Gazeta do Povo
Vox Populi
Gazeta do Povo
Instituto Gerp
Gazeta do Povo

Depois de coletar o texto ou PDF do release, um modelo de linguagem (Google Gemini) extrai automaticamente os percentuais de cada candidato, a data de campo, o tamanho da amostra e a margem de erro. Os dados estruturados são salvos em banco de dados SQLite.

3 Média Agregada

A média agregada que aparece no dashboard não é uma média simples de todos os números disponíveis. O cálculo usa uma janela móvel de 30 dias: apenas pesquisas com data de campo nos últimos 30 dias entram na conta.

Dentro dessa janela, cada instituto contribui com sua pesquisa mais recente. O resultado é uma média ponderada dos percentuais de cada candidato entre os institutos incluídos, dando mais peso a pesquisas com amostra maior e a pesquisas mais recentes dentro da janela.

Só entram na média pesquisas de institutos aprovados. O registro oficial do TSE lista quase cem empresas de pesquisa em 2026, muitas de atuação local e amostra pequena; incluir todas degradaria a média em vez de melhorá-la. Pesquisas de institutos não aprovados continuam publicadas e consultáveis no site, marcadas como fora da média.

Média(candidato) = Σ (percentual_i × peso_i) / Σ peso_i
peso_i = min(tamanho_amostra_i, teto) × 0,9dias_desde_a_pesquisa_i
teto = 2 × mediana das amostras consideradas
onde i percorre os institutos com pesquisa nos últimos 30 dias, cada um contribuindo com apenas 1 pesquisa (a mais recente)

Amostras maiores pesam mais (menor margem de erro estatístico) e pesquisas mais antigas dentro da janela perdem peso gradualmente — uma pesquisa de hoje pesa mais que uma de 20 dias atrás. Entre os institutos aprovados, nenhum recebe peso extra por reputação ou histórico de acertos: a curadoria decide quem entra na média, não quanto cada um vale dentro dela.

O peso de amostra tem um teto, fixado em duas vezes a mediana das amostras consideradas naquele momento. Sem ele, uma única pesquisa de amostra muito grande — uma série de acompanhamento semanal com dezenas de milhares de entrevistas, por exemplo — poderia sozinha determinar o resultado, mesmo que todos os demais institutos apontassem outra coisa. Na prática o teto só tem efeito quando alguma pesquisa é mais que o dobro da mediana: quando as amostras são parecidas entre si, nenhum peso é reduzido. O ganho estatístico de precisão acima de cerca de 2.000 entrevistas é pequeno, então o custo de limitar é baixo.

A variação de 30 dias exibida ao lado de cada candidato compara a média atual com a média calculada 30 dias atrás, usando o mesmo método.

Tendência por instituto (house effect)

Para cada candidato com pesquisas de ao menos 3 institutos nos últimos 90 dias, calculamos o house effect de cada instituto: o quanto ele diverge, em média, dos demais institutos para aquele candidato.

Desvio(instituto, candidato) = média_do_instituto − média das médias dos demais institutos
reportado só quando o instituto tem ≥ 2 pesquisas do candidato na janela
O desvio não é erro — é diferença metodológica (amostragem, ponderação, momento do campo). Expor isso é prática padrão de agregadores sérios. O house effect é apenas contexto de leitura: não ajusta a média agregada.

4 Simulação Monte Carlo

A seção de Simulação de 2º Turno usa uma técnica estatística chamada Monte Carlo. A ideia é simular o que poderia acontecer se a eleição fosse realizada hoje, levando em conta a incerteza das pesquisas.

O sistema roda 10.000 simulações. Em cada uma delas:

1. Os percentuais dos candidatos são sorteados dentro de uma distribuição normal, com desvio padrão de 6 pontos percentuais (σ = 6pp) — valor que reflete a variação histórica entre institutos em eleições brasileiras.

2. Os votos dos candidatos que não entram no 2º turno são redistribuídos proporcionalmente entre Lula e Flávio Bolsonaro.

3. Registra-se quem ficou na frente naquela simulação.

O percentual de vitória exibido (ex.: "Lula: 62% de chance") é simplesmente a fração das 10.000 simulações em que aquele candidato venceu o 2º turno simulado.

Atenção: a simulação Monte Carlo não é uma previsão eleitoral. Ela mostra quão robusta é a vantagem atual nas pesquisas — não o que vai acontecer na eleição. Pesquisas feitas meses antes da votação têm baixo poder preditivo; candidatos mudam, eventos inesperados acontecem.

5 Tipos de pesquisa

Institutos brasileiros costumam publicar dois tipos diferentes de intenção de voto no mesmo release. O Pulso Eleitoral identifica e sinaliza qual tipo foi capturado:

Tipo
Espontânea

O entrevistador não apresenta lista de nomes. O eleitor cita espontaneamente quem votaria. Os percentuais tendem a ser menores — candidatos menos conhecidos recebem menos menções.

Tipo
Estimulada

O entrevistador apresenta uma lista com os nomes dos candidatos. O eleitor escolhe entre as opções. Os percentuais são geralmente maiores e mais estáveis entre institutos.

O tipo é detectado automaticamente pelo modelo Gemini com base nas palavras do release e nos percentuais (percentuais muito baixos para candidatos principais indicam pesquisa espontânea). O badge colorido no dashboard mostra qual tipo corresponde à pesquisa mais recente exibida.

6 Limitações

O Pulso Eleitoral é uma ferramenta de acompanhamento, não de análise política profunda. Há limites importantes que você deve conhecer:

  • Margem de erro acumulada. Cada pesquisa tem sua própria margem de erro (tipicamente ±2pp). A média agrega erros independentes, mas não os elimina. Diferenças de 1–2pp entre candidatos podem estar dentro do ruído estatístico.
  • Cobertura desigual. Alguns institutos publicam mensalmente, outros esporadicamente. Períodos sem coleta de um instituto específico não aparecem como lacuna visível — a média continua com os demais.
  • Extração automática tem falhas. Os dados são extraídos por um modelo de linguagem (Gemini), que pode cometer erros de interpretação em releases ambíguos. Números claramente discrepantes devem ser verificados na fonte original.
  • Não inclui todos os institutos. Apenas institutos que publicam resultados digitais acessíveis são monitorados. Pesquisas divulgadas exclusivamente em TV ou print não são capturadas.
  • Não é previsão. Pesquisas eleitorais medem intenção de voto no momento da coleta. Eleições dependem de campanhas, debates, escândalos e eventos imprevisíveis. Histórico de acurácia em eleições anteriores não garante precisão futura.
  • Sem ponderação por qualidade metodológica. O sistema não avalia a qualidade amostral de cada instituto. Um instituto com metodologia menos rigorosa tem o mesmo peso na média que um com metodologia auditada.

7 Código aberto

O código-fonte do Pulso Eleitoral é público. Você pode inspecionar os coletores, os cálculos da média agregada, a simulação Monte Carlo e o próprio prompt enviado ao Gemini.

pulso-eleitoral

Flask · SQLite · Playwright · Gemini API · Chart.js · hospedado no Fly.io

Ver no GitHub →